Saneamento de cadastro de materiais: o checklist campo a campo
Checklist de saneamento de cadastro de materiais: o que conferir em cada campo, o sinal de erro, a fonte que confirma o valor certo e quem decide a correção.
O saneamento de cadastro de materiais funciona melhor quando cada grupo de campos do registro tem três respostas definidas: qual sinal de erro uma consulta encontra, qual fonte confirma o valor certo e quem decide a correção. Sem essas três respostas, a equipe corrige por opinião e o erro volta. Abaixo está o checklist campo a campo que usamos como ponto de partida.
Planilha aberta, quatro mil linhas, reunião às dez. O analista de cadastro filtra a coluna de NCM e encontra o mesmo material com dois códigos diferentes, um em cada planta. Pergunta para o grupo quem sabe qual está certo. O comprador diz que é com o fiscal. O fiscal diz que precisa da ficha técnica. A engenharia diz que a ficha está "em algum lugar da rede".
A reunião acaba sem nenhuma correção. O problema não era falta de vontade. Ninguém tinha combinado antes onde estava a prova de cada campo e quem assinava embaixo.
O que é saneamento de cadastro de materiais?
Saneamento de cadastro de materiais é a revisão do registro mestre de cada item para eliminar duplicidade, padronizar descrições, corrigir classificações e completar atributos com base em fonte confiável, antes ou depois da carga no ERP. Na página de saneamento de cadastro de materiais da 4MDG está o método completo; aqui o foco é o que conferir dentro do registro.
No SAP, o registro mestre de material organiza os dados por área usuária (compras, estoque, contabilidade, vendas e outras). A documentação da SAP lembra que a descrição do material e a unidade de medida básica são obrigatórias e valem igualmente para todas as áreas, e que o sistema guarda a marcação para eliminação, quem marcou e os documentos de modificação (SAP Help, Material Master Record). Quais campos aparecem em cada tela depende de setor, tipo de material e nível organizacional (SAP Help, Screen Sequence and Field Selection), assunto que detalhamos no post sobre visões e campos obrigatórios do SAP MM.
O que conferir em cada campo do registro de material?
A tabela abaixo é o núcleo do checklist. Cada linha é um grupo de campos. A coluna "sinal de erro" traz algo que dá para encontrar com uma consulta ou uma regra simples, sem abrir item por item. A coluna "fonte" diz onde está a prova do valor certo. A última coluna diz quem assina a correção.
| Grupo de campos | O que conferir | Sinal de erro que uma consulta ou regra encontra | Fonte que confirma o valor certo | Quem decide |
|---|---|---|---|---|
| Identificação e tipo de material | Se o tipo de material corresponde ao uso real do item (revenda, consumo, peça de reposição, matéria-prima) | Itens da mesma família em tipos diferentes; mesmo part number cadastrado em tipos diferentes | Histórico de requisições, pedidos e consumo; definição dos tipos de material da empresa | Cadastro, com a área usuária |
| Descrição curta e texto longo | Se a descrição segue o padrão da empresa e se o texto longo não contradiz a descrição curta | Descrição começando por marca, abreviação fora da lista, termos como "DIVERSOS" ou "VER TEXTO"; texto longo vazio em item técnico | Padrão de descrição (PDM) da empresa e ficha técnica do item | Cadastro (padrão); engenharia ou manutenção (dado técnico) |
| Grupo de mercadorias ou família | Se o grupo combina com o que o item é | Mesmo substantivo em grupos diferentes; grupo genérico como "outros" com muitos itens | Taxonomia vigente da empresa | Cadastro, com compras |
| Unidade de medida básica | Se a unidade bate com a forma como o item é estocado e consumido | Unidades diferentes para itens da mesma família; item vendido por metro cadastrado em peça | Ficha técnica, embalagem do fabricante, forma de consumo no almoxarifado | Cadastro, com almoxarifado e suprimentos |
| Fabricante e part number | Se estão nos campos próprios, e não só dentro da descrição | Part number escrito na descrição com campo vazio; letra O no lugar do zero; mesmo fabricante grafado de vários jeitos | Catálogo do fabricante, placa do equipamento, documento do fornecedor | Engenharia ou manutenção |
| NCM | Se o código existe na tabela vigente, se é igual entre plantas e se é coerente com a descrição | Código com menos de 8 dígitos; código fora da tabela vigente; mesmo material com NCM diferente por planta; capítulo sem relação com o item | Tabela NCM consultada no Sistema Classif; ficha técnica para entender o produto | Área fiscal |
| Compras (grupo de compras, texto de pedido) | Se o grupo de compras existe e está ativo, e se o texto de pedido descreve o item sem contradizer o cadastro | Grupo de compras de comprador que saiu da empresa; texto de pedido vazio em item técnico; texto de pedido com especificação diferente da descrição | Estrutura de compras vigente; ficha técnica | Compras |
| Contábil (classe de avaliação) | Se a classe de avaliação é coerente com o tipo e o grupo do material | Itens do mesmo tipo e grupo em classes diferentes | Critérios de avaliação definidos pela controladoria | Controladoria |
| Peso e dimensões | Se peso bruto, peso líquido, unidade de peso e dimensões estão preenchidos e fazem sentido | Peso líquido maior que o bruto; peso zero em item físico; ordem de grandeza errada (grama gravado como quilo) | Ficha técnica, dado do fabricante, pesagem física | Logística ou almoxarifado |
| Status, bloqueio e marcação para eliminação | Se o status reflete a vida real do item | Item bloqueado ou marcado para eliminação com estoque ou pedido aberto; item sem movimento há anos sem nenhuma marcação | Histórico de movimentação, pedidos abertos, registro de quem marcou | Área dona do item, com cadastro |
| Anexos e fichas técnicas | Se o item técnico tem ficha anexada, legível e do modelo certo | Item técnico sem anexo; link quebrado; ficha de outro modelo ou revisão antiga | Fabricante e engenharia | Engenharia ou manutenção |
Dois detalhes do SAP ajudam a ler a tabela: o grupo de compras responsável fica nos dados de compras, por planta, e o tipo de material define quais classes de avaliação são possíveis (SAP Learning, Creating Material Master Records for Purchasing). Por isso a consulta de grupo de compras roda por planta, e a de classe de avaliação compara itens do mesmo tipo.
Dois avisos sobre a tabela. Primeiro: dados de MRP por planta (planejamento, lote, prazo) têm dono e lógica próprios e são tratados à parte. Segundo: duplicidade não aparece como linha porque é um trabalho anterior, explicado no post sobre como identificar materiais duplicados. Sanear campos de um item que vai ser bloqueado como duplicado é trabalho jogado fora.
Descrição: conferir aderência, não reescrever aqui
No checklist, a pergunta sobre a descrição é só uma: ela segue o padrão? Se não segue, o item entra na fila de padronização. Como montar esse padrão (substantivo, qualificador, atributos) está no guia de como descrever materiais no cadastro.
NCM: o cadastro aponta, o fiscal decide
A Receita Federal explica que a NCM tem código de 8 dígitos, é baseada no Sistema Harmonizado e soma pouco mais de 10.000 códigos, com consulta pela NCM On-line do Sistema Classif (Receita Federal, NCM). O cadastro consegue verificar formato, existência na tabela vigente e coerência entre plantas. A escolha do código é decisão da área fiscal da empresa. Para o contexto da Reforma Tributária, veja o post sobre NCM no cadastro de materiais e a Reforma Tributária.
O que dá para corrigir em lote e o que exige olho humano?
Nem toda correção precisa de alguém abrindo item por item. A regra que usamos é simples: se a correção pode ser derivada de uma fonte estruturada sem interpretação, vai em lote. Se depende de entender o que o item é, precisa de uma pessoa com evidência na mão.
Corrige em lote por regra
- Formato: espaços duplos, caracteres trocados no part number, maiúsculas e minúsculas fora do padrão.
- Grafia do fabricante, quando existe uma lista de nomes aprovados para fazer o de-para.
- Grupo de compras de comprador inativo, quando a área de compras define o grupo substituto.
- Unidade de peso trocada, quando a ordem de grandeza denuncia o erro e a área dona confirma a regra.
- Marcação de itens sem movimento, depois que a área dona aprova o critério.
Exige olho humano com evidência
- Tipo de material e grupo de mercadorias, quando o item pode ser lido de mais de um jeito.
- NCM: a consulta acha o código inválido ou divergente; quem escolhe o certo é o fiscal.
- Classe de avaliação: a controladoria decide, porque afeta a contabilização do estoque.
- Unidade de medida básica de item com histórico de movimento.
- Qualquer campo em que a única fonte é "sempre foi assim".
O registro mínimo de cada correção
Toda correção, em lote ou manual, deixa rastro. O mínimo:
- Valor anterior e valor novo;
- Fonte que justificou a mudança (ficha, catálogo, consulta ao Classif, regra aprovada);
- Quem aprovou;
- Data da aprovação e da gravação.
O ERP guarda documentos de modificação, mas eles mostram o que mudou, não por que mudou. A fonte e a aprovação precisam ficar registradas no processo de saneamento. Quando a auditoria perguntar, a resposta está pronta.
Como fica um item antes e depois do checklist?
Exemplo HIPOTÉTICO, montado para ilustrar o checklist. Não é caso de cliente.
| Campo | Antes | Sinal encontrado | Depois |
|---|---|---|---|
| Descrição curta | ROLAM. FABRICANTE X 6205 VER TEXTO | Começa por abreviação, cita marca, remete ao texto longo | Descrição refeita no padrão da empresa |
| Fabricante e part number | Campos vazios; dados só na descrição | Part number dentro da descrição | Fabricante e part number nos campos próprios, conferidos no catálogo do fabricante |
| Grupo de mercadorias | DIVERSOS | Grupo genérico | Grupo de rolamentos da taxonomia vigente |
| Unidade de medida básica | CX | Almoxarifado consome por peça | Peça, confirmada pelo almoxarifado |
| NCM | Um código na planta A, outro na planta B | Divergência entre plantas | Código único definido pelo fiscal após consulta ao Classif |
| Peso | Líquido maior que o bruto | Regra de consistência de peso | Pesos conferidos na ficha técnica |
| Anexos | Nenhum | Item técnico sem ficha | Ficha do fabricante anexada |
Cada linha do "depois" entrou no registro de correções com valor anterior, valor novo, fonte, aprovador e data.
Por onde começar o checklist?
- Defina o recorte. A ordem dos itens vem da priorização; o post sobre curva ABC no saneamento mostra como escolher.
- Extraia do ERP os campos da tabela para esse recorte, por planta quando o campo for por planta.
- Rode as consultas da coluna "sinal de erro" e conte quantos itens caem em cada regra.
- Combine com cada área quem decide e qual fonte vale, antes de corrigir o primeiro item.
- Separe o que vai em lote do que vai para análise humana e abra o registro de correções.
- Corrija, grave e meça de novo. Para acompanhar a evolução, use os indicadores do post sobre como medir a qualidade do cadastro.
- Coloque a regra na entrada, para o erro corrigido não voltar. O método de saneamento da 4MDG fecha com essa etapa de governança.
Perguntas frequentes
Dá para sanear o cadastro de materiais sem parar a operação?
Sim. O trabalho é feito sobre uma extração, as correções são aprovadas fora do ERP e a gravação acontece em lotes combinados com as áreas. Itens com pedido ou estoque em movimento pedem mais cuidado na janela de gravação, mas a compra e o almoxarifado seguem funcionando.
Quanto do checklist dá para automatizar?
A detecção dá para automatizar quase toda: as regras da coluna "sinal de erro" rodam como consulta. A correção automática vale para formato, de-para aprovado e regras que a área dona assinou. Classificação fiscal, tipo de material e classe de avaliação continuam com decisão humana.
Saneamento é a mesma coisa que migração de dados?
Não. Migração leva os dados de um sistema para outro; saneamento corrige o conteúdo. Dá para migrar sem sanear (e levar os erros junto) e dá para sanear sem migrar, direto no ERP atual. Quando há migração, o saneamento costuma vir antes da carga.
Quem deve ser dono da correção da NCM?
A área fiscal. O cadastro aponta o código inválido, ausente ou divergente entre plantas e reúne a ficha técnica; o fiscal escolhe o código e assina a aprovação, que fica no registro de correções.
O que fazer com um campo que ninguém sabe preencher?
Primeiro, descobrir se o campo é usado por algum processo. Se não é usado, a decisão de deixá-lo vazio precisa ser registrada pela área dona. Se é usado, a falta de dono vira pendência de governança: alguém precisa ser nomeado antes de qualquer valor ser gravado. Inventar valor para fechar a planilha cria um erro novo.
Preciso sanear todos os campos de todos os itens?
Não: a profundidade e a ordem vêm da priorização, e o avanço de cada etapa pode ser acompanhado com os indicadores de qualidade do cadastro de materiais.
Como a 4MDG pode ajudar
A 4MDG faz o saneamento de cadastro de materiais item a item: elimina duplicidade, padroniza descrições pelo PDM, classifica em NCM e UNSPSC, normaliza unidade de medida e embalagem e enriquece atributos técnicos antes da carga no ERP, que pode ser SAP ECC ou S/4HANA, por API, IDoc, BAPI ou arquivo. Veja como funciona o serviço de saneamento de materiais. Se quiser saber onde o seu catálogo está hoje, peça o diagnóstico gratuito do catálogo: sem compromisso e sem instalar nada, ele mostra duplicados, atributos vazios e classificação divergente.
Fontes
- SAP Help Portal. "Material Master Record". https://help.sap.com/saphelp_me60/helpdata/en/46/c3b853dcfcb44ce10000000a174cb4/content.htm. Acesso em 26/10/2026.
- SAP Help Portal. "Screen Sequence and Field Selection". https://help.sap.com/saphelp_me60/helpdata/en/dc/14c453f57eb44ce10000000a174cb4/content.htm. Acesso em 26/10/2026.
- SAP Learning. "Creating Material Master Records for Purchasing". https://learning.sap.com/courses/purchasing-in-sap-s-4hana/creating-material-master-records-for-purchasing. Acesso em 26/10/2026.
- Receita Federal. "NCM". https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/classificacao-fiscal-de-mercadorias/ncm. Acesso em 26/10/2026.
- Portal Único Siscomex. "Sistema Classif". https://portalunico.siscomex.gov.br/classif/. Acesso em 26/10/2026.
A classificação fiscal de cada material é decisão da área fiscal da empresa. Este artigo trata do processo de conferência do cadastro, não de regras tributárias.